#Thomas-Furniture_Apresentação-Horizontal_1Cor

O Utilizador, O Designer, O Projeto.

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Um bom projeto é aquele que possuiu uma boa base teórica e conceptual, que enfoca principalmente os interesses do seu ou dos seus utilizadores, não descorando, claro, de todos os processos e etapas técnicas inerentes no decorrer dos projetos, assim como todos os seus elementos e particularidades.

Estes interesses de que falamos são, não só, interesses percetíveis, exemplo preferências de cor, textura, estilos; como interesses mais intrínsecos que o profissional precisa de saber ler na fase mais inicial e primaria de abordagem aos clientes.

As primeiras reuniões servem não só para descobrir essas necessidades projetuais mais óbvias – que usualmente são os mais abordados; como para conhecer e idealizar o perfil do cliente, e com isto descortinar o que pode ser feito para além de um simples briefing.As nossas escolhas, como designers, apos a definição do programa de projeto dependem de muito mais do que apenas da gama de cores preferencial do cliente. Apesar do Homem ser bastante igual e simples, em termos de necessidades arquitetónicas básicas, como a existência de espaços para descanso e alimentação, somos bastante diferentes, no que toca aos detalhes dos espaços, o que é extraordinário e enriquecedor para esta profissão. Devem ser essas diferenças que os projetistas devem acentuar ao conceber produtos e espaços pois é o que brinda cada projeto com valor e essência, e o que faz com que esse projeto/objeto/espaço se torne tão único quanto o seu proprietário.

O trabalho dos designers e seus primos de profissão, é de certo modo relativo e melindroso, já que cada pessoa varia, visto também o seu contexto, seja ele social, económico e cultural, também variar.

Á décadas atrás as diferentes peças de mobiliário eram meros blocos de madeira que se distinguiam apenas na sua proporção. Por sua vez os Millenials, ou Geraçao Y que cresceram acompanhados pelo crescimento das tecnologias, nunca experienciaram da mesma maneira o seu redor como a Geraçao X, que teve que se habituar a estas mudanças na sua fase adulta, a experiência, inclusive matericamente.

Assim pode afirmar-se que os objetos, tal como o mobiliário e peças decorativas, ou os espaços, são representações materiais das nossas memórias, vivências, da forma de viver e habitar, e de como experienciamos o que nos rodeia, que evoluem de maneira paralela e natural a própria evolução humana. Idealizar uma habitação para uma família, é um exemplo pois existem divergências de idade, conjuntura e traquejo, de onde surgem diversas necessidades e gostos próprios. Outro exemplo, onde estes fatores se agravam, são ainda mais acentuados, de difícil e arriscada conciliação, quando se trata de um espaço público, onde deixamos de ter um número restrito de pessoas com necessidades especificas para suprir e passamos a ter um número indefinido de pessoas com também inúmeros contextos, pessoas essas de todas as idades, etnias, nacionalidades, classes socioeconómicas, com diferentes culturas e níveis de educação, entre outros.

Refettorio Felix – STUDIOILSE
London, 2017

We redesigned St Cuthbert’s community hall to become a functional and beautiful home for Refettorio Felix, a new community kitchen, dining hall and drop-in centre where healthy meals are provided for those living in socially vulnerable conditions. The interior is a warm and welcoming space to bring the community together. We used design to restore a sense of dignity. The project was conceived by Food for Soul, a non-profit organisation founded by Massimo Bottura to fight food waste in support of social inclusion – all meals are made using surplus supermarket stock.

Photography by Tom Mannion

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Ilse Crawford, uma designer de interiores e mobiliário, britânica, experimenta e habita os espaços que vai desenvolver, durante um determinado tempo, como parte do seu processo criativo, de modo a descobrir quais são as necessidades do utilizador e o mais importante, de que maneira é que este se apropria dos espaços, por meio de hábitos e rotinas. Na maioria dos projetos este método de trabalho é insustentável e nem todos os clientes estão dispostos a passar por este processo moroso, no entanto, com isto conseguimos constatar a necessidade de um bom relacionamento e de uma boa comunicação e interação entre as duas partes, Designer e Cliente/Utilizador. Esta designer, juntamente com a sua equipa no seu estúdio, ESTUDIOILSE, defendem os valores morais e de bem-estar dos usuários, acima de qualquer outra coisa. Esta brilhante ideologia resultar em projetos aglutinadores entre o maior interesse do cliente e da qualidade de trabalho produzida por estes profissionais.

“We talk about the power and potential of design as a catalyst for systemic wellbeing and a frame for life.” – STUDIOILSE

A luz sobre as coisas – Peter Zumthor, casa Zumthor 2005 Cortinados de Seda de Koho Mori

A tensão entre interior e exterior – Peter Zumthor, Kunsthaus Bregenz, Bregenz, Austria, 1997, Bar

Como designers e arquitetos, devemos questionar-nos acerca das escolhas que fazemos e nunca ter uma atitude preponderante em relação ao que estamos a criar.

Nunca pensar que o projeto que estamos a conceber é nosso, mas dos nossos clientes, isto é, pensar que estamos apenas a dar o nosso conhecimento e aptidão em prol do bem-estar e comodidade destas pessoas.

É esta a relevância dos designers, no fundo, se for cometido um erro de projeto, será o cliente o prejudicado, será este a lidar um o dano.
Mais do que desenhar algo esteticamente apelativo ou funcional, temos de ponderar que desenhamos formas de viver. Exemplo disso é, uma casa pouco ergonómica e com um modelo de circulação pouco intuitivo representa uma vida de desconforto. Este conceito remete-nos para o tema do livro de Pete Zumthor, lançado em 2006, intitulado de “Atmosferas” em que o autor aborda a capacidade de alguns dos edifícios desenhados por si, e o seu meio de oferecer às pessoas um lugar para o desenvolvimento das suas vidas. Refletindo a cerca do conforto este explica na perfeição as relações entre o Homem e os espaços experienciados através dos 6 sentidos.

A temperatura do espaço – Peter Zumthor – Pavilhão da Suiça_ Klangkorper Schweiz_, Expo2000, Hânover, Alemanha, 2000

Carolina Neiva

Carolina Neiva, licenciada em Design de Produto, está atualmente a realizar o Projeto-Tese intitulado por “O Mobiliário como Ponte entre o Design de Produto e o Design Interiores”
no ambito do Mestrado em Design Interiores na ESAD. Enquanto isso concilia o cargo de Designer de Mobiliário e Designer Interiores numa empresa de comércio de mobiliário, assim como ainda trabalha como freelancer nos tempos livres.
Rege-se pelas tendencias mais atuias, porém com raizes bem vincadas nas antigas escolas de design e arquitetura, que a ensinaram e colocaram de
olhos postos nos processos e tecnicas construtivos de vanguarda.
Criativa nata, e perfecionista de nascença.
“Design creates culture. Culture shapes values. Values determine the future.” – Robert L. Peters, Designer e Autor..

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Assinatura-carolina

Carolina Neiva

Carolina Neiva, licenciada em Design de Produto, está atualmente a realizar o Projeto-Tese intitulado por “O Mobiliário como Ponte entre o Design de Produto e o Design Interiores”
no ambito do Mestrado em Design Interiores na ESAD. Enquanto isso concilia o cargo de Designer de Mobiliário e Designer Interiores numa empresa de comércio de mobiliário, assim como ainda trabalha como freelancer nos tempos livres.
Rege-se pelas tendencias mais atuias, porém com raizes bem vincadas nas antigas escolas de design e arquitetura, que a ensinaram e colocaram de
olhos postos nos processos e tecnicas construtivos de vanguarda.
Criativa nata, e perfecionista de nascença.
“Design creates culture. Culture shapes values. Values determine the future.” – Robert L. Peters, Designer e Autor..

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Uma cozinha moderna e luxuosa

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